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⚖️ Direito

União estável homoafetiva: quando o STF reconheceu e como registrar

Por Publicado em: Atualizado em: 4 min de leitura — visitas

Resposta rápida

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo em 5 de maio de 2011, ao julgar a ADI 4277 e a ADPF 132. A decisão tem efeito vinculante. Para registrar a união, os companheiros podem levar ao cartório de registro civil uma escritura pública, um termo declaratório ou uma sentença. O registro é facultativo.

Rápido: STF, 5/5/2011, união estável entre pessoas do mesmo sexo. Registro é facultativo e feito no cartório, no Livro E. O termo declaratório custa, na regra de referência do CNJ, 50% do valor da habilitação de casamento, e o valor final depende do estado.

O que o STF decidiu

O Plenário julgou a ADI 4277, proposta pela Procuradoria-Geral da República, e a ADPF 132, proposta pelo governo do Rio de Janeiro. Os ministros deram interpretação conforme a Constituição ao artigo 1.723 do Código Civil, para excluir qualquer sentido que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. O relator foi o ministro Ayres Britto.

A decisão tem efeito vinculante e se estende a toda a sociedade, segundo a notícia oficial do STF. O texto do Código Civil continua falando em "homem e mulher". A mudança vem da decisão do Supremo.

Depois da decisão

Dois anos depois, a Resolução 175 do CNJ, de 14 de maio de 2013, citou as decisões do STF e proibiu a recusa de habilitação, de celebração de casamento civil e de conversão de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo. Veja os detalhes em Casamento LGBT no Brasil: é legal desde quando e como fazer.

Sobre a pergunta "em qual governo foi aprovado": as decisões vieram do Judiciário, e não de governo ou de lei do Congresso.

O que é união estável, em linguagem simples

O Código Civil (art. 1.723) reconhece como entidade familiar a união estável "configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família". O texto do artigo não fixa tempo mínimo de convivência. A união não se constitui se houver impedimento do artigo 1.521, como o casamento, com a exceção da pessoa casada que está separada de fato ou judicialmente.

Na falta de contrato escrito, aplica-se o regime da comunhão parcial de bens (art. 1.725).

Como registrar

O Código Nacional de Normas do CNJ (arts. 537 a 543) trata do registro:

  1. É facultativo. O registro confere efeitos jurídicos perante terceiros.
  2. Títulos aceitos: sentença declaratória, escritura pública declaratória ou termo declaratório lavrado no cartório de registro civil.
  3. Livro E. O registro é feito no Livro E do registro civil de pessoas naturais em que os companheiros têm ou tiveram a última residência.
  4. Datas de início e fim. Só constam se vierem de decisão judicial, de certificação eletrônica perante o cartório, ou de escritura e termo em que a data coincida com a do instrumento e os companheiros declarem expressamente esse fato. Caso contrário, o campo consta como "não informado".
  5. Casados. A Lei de Registros Públicos (art. 94-A) não permite registrar união estável de pessoas casadas, ainda que separadas de fato, exceto se separadas judicial ou extrajudicialmente, ou se a declaração decorrer de sentença transitada em julgado.

Quanto custa

O valor depende do estado. O Código Nacional de Normas diz que, enquanto o estado não legislar, o termo declaratório de reconhecimento ou dissolução da união estável custa 50% do valor previsto para a habilitação de casamento. Escritura pública segue a tabela do tabelionato. Peça o valor no cartório. Para a comparação com os custos do casamento, veja Quanto custa casar no cartório: casal LGBT paga igual.

Convertendo em casamento ou desfazendo

A união pode se converter em casamento por pedido ao juiz e assento no Registro Civil (art. 1.726 do Código Civil). Para desfazer, há sentença, escritura ou termo declaratório. Quando há nascituro ou filhos incapazes, a norma só admite a dissolução extrajudicial se a guarda, a visitação e os alimentos já tiverem sido resolvidos na Justiça. Para a comparação de efeitos entre união e casamento, leia União estável ou casamento: estado civil e direitos de cada um.

Outros temas

Se você mudou ou vai mudar de nome e gênero e tem união estável, a anuência do companheiro é exigida para a averbação no registro. Veja Como mudar nome e gênero no cartório sem processo judicial. Em caso de violência na relação, leia Violência doméstica: tipos da Lei Maria da Penha e como pedir ajuda.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de advogado ou da Defensoria Pública.

Termos citados neste artigo

Ver o glossário completo →

Perguntas frequentes

Quando o STF reconheceu a união homoafetiva?

O STF reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo em 5 de maio de 2011, ao concluir o julgamento da ADI 4277 e da ADPF 132. A decisão tem efeito vinculante e vale para toda a sociedade e para a administração pública, segundo a notícia oficial do tribunal.

Quando o STF reconhece a união homoafetiva?

O reconhecimento ocorreu em 5 de maio de 2011. O julgamento começou em 4 de maio, com o voto do relator, ministro Ayres Britto, e terminou no dia seguinte. A decisão deu ao artigo 1.723 do Código Civil interpretação conforme a Constituição, para incluir a união entre pessoas do mesmo sexo.

Em qual governo foi aprovado o casamento homoafetivo?

Não foi decisão de governo. O reconhecimento da união estável veio do STF, em 2011, e a regra do casamento veio da Resolução 175 do CNJ, de 14 de maio de 2013. São decisões do Poder Judiciário, e não do Poder Executivo nem de lei do Congresso.

O que o STF decidiu na ADI 4277 e na ADPF 132?

O Supremo deu interpretação conforme a Constituição ao artigo 1.723 do Código Civil, excluindo qualquer sentido que impeça o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar. As ações pediam igualdade de direitos e deveres entre as uniões estáveis.

O que é união estável?

O Código Civil, no artigo 1.723, reconhece como entidade familiar a união estável configurada na convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituição de família. O texto fala em homem e mulher, mas a decisão do STF de 2011 estendeu o reconhecimento a pessoas do mesmo sexo.

Como registrar a união estável homoafetiva?

O registro é facultativo. Os companheiros podem levar ao cartório de registro civil uma sentença, uma escritura pública ou um termo declaratório. O Código Nacional de Normas do CNJ prevê o registro da união estável entre duas pessoas do mesmo sexo no Livro E do registro civil de pessoas naturais.

O registro da união estável é obrigatório?

Não. O Código Nacional de Normas diz que é facultativo registrar a união estável. O registro, porém, confere efeitos jurídicos perante terceiros, o que ajuda a provar a união. A união pode existir mesmo sem registro, desde que preencha os requisitos do Código Civil.

O que é termo declaratório de união estável?

É uma declaração escrita feita pelos dois companheiros perante o cartório de registro civil de sua escolha, que pode incluir as cláusulas admitidas nos demais títulos, inclusive o regime de bens. O cartório arquiva o título e emite a certidão correspondente. É vedado lavrar outro termo com os mesmos companheiros.

Quanto custa união homoafetiva?

Depende do estado. O Código Nacional de Normas diz que, enquanto não houver legislação específica estadual, o valor do termo declaratório de reconhecimento de união estável é de 50% do valor previsto para a habilitação de casamento. Escrituras públicas seguem a tabela do tabelionato. Consulte o cartório.

Qual regime de bens vale na união estável?

Salvo contrato escrito entre os companheiros, aplica-se à união estável, no que couber, o regime da comunhão parcial de bens, conforme o artigo 1.725 do Código Civil. O casal pode escolher outro regime no termo declaratório ou na escritura. Procure o cartório ou um advogado.

Posso transformar a união estável em casamento?

Pode. O Código Civil prevê que a união estável pode se converter em casamento por pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil, e a Resolução 175 do CNJ proíbe a recusa da conversão entre pessoas do mesmo sexo. O cartório informa o procedimento.

Quem não pode ter união estável?

A união estável não se constitui se ocorrerem os impedimentos do artigo 1.521 do Código Civil, como o parentesco próximo e o casamento. A exceção é a pessoa casada separada de fato ou judicialmente, a quem o impedimento do casamento não se aplica. Cada caso exige análise de provas.

A união estável é a mesma coisa que casamento?

Não. O casamento é um ato solene com habilitação e celebração, e a união estável é uma convivência pública, contínua e duradoura que pode ser formalizada por documento. Os efeitos e o estado civil de cada um são tratados em outro artigo do site.

A união estável pode ser registrada se uma das pessoas é casada?

Em regra, não. A Lei de Registros Públicos, no artigo 94-A, diz que não pode ser promovido o registro de união estável de pessoas casadas, ainda que separadas de fato, exceto se separadas judicialmente ou extrajudicialmente, ou se a declaração decorrer de sentença transitada em julgado.

A data de início da união aparece no registro?

Só em hipóteses previstas na norma, como decisão judicial, procedimento de certificação eletrônica perante o cartório, ou escritura e termo em que a data do início corresponda à data do documento, com declaração expressa dos companheiros. Fora desses casos, o campo consta como não informado.

Como se desfaz a união estável?

Por sentença judicial, por escritura pública ou por termo declaratório no cartório, conforme o caso. Quando há nascituro ou filhos incapazes, a norma exige que as questões de guarda, visitação e alimentos tenham sido resolvidas na Justiça antes da dissolução extrajudicial. Procure a Defensoria Pública ou um advogado.

Preciso de advogado para formalizar?

Para o termo declaratório de reconhecimento, não há exigência de advogado nas fontes consultadas. Para a dissolução por termo, a norma exige assistência de advogado ou defensor público. Este texto é informativo e não substitui a orientação jurídica sobre o seu caso.

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Referências

Fontes conferidas em 6 de outubro de 2026.

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