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Neste artigo
O que é a certidão vintenária
O nome vem de "vinte". A certidão reúne os atos registrados sobre o imóvel em 20 anos, inclusive os que estão em matrícula antiga ou em livros de transcrição, a forma de registro usada antes das matrículas. O CRECI do Espírito Santo descreve o documento como o histórico de registro em cartório dos 20 anos de um imóvel.
"Certidão vintenária" é um nome de uso prático no mercado. No balcão do cartório, o pedido também aparece como certidão de histórico, de cadeia dominial ou de filiação de 20 anos. Se o atendente estranhar o nome, explique o que você precisa: todos os registros do imóvel no período.
Existe ainda a versão de 15 anos, chamada quinzenária. A escolha do período depende de quem vai receber o documento.
Para que serve na prática
A certidão mostra se a cadeia de donos fecha sem buracos. Ela ajuda a responder perguntas como estas:
- O vendedor de hoje recebeu o imóvel de quem tinha direito de vender?
- Houve hipoteca que nunca recebeu baixa?
- Apareceu penhora, indisponibilidade ou usufruto em algum momento?
- Algum dono morreu e o imóvel saiu de um inventário registrado?
Em uma compra comum, o documento mais pedido costuma ser a certidão da situação jurídica atualizada, que mostra o que vale hoje. A Lei 6.015/1973 diz que ela traz descrição, dono, direitos, ônus e restrições vigentes. O histórico de 20 anos entra quando há dúvida sobre a origem do imóvel ou quando o banco, o comprador ou o advogado pedem.
A lei também diz que a certidão de inteiro teor da matrícula reproduz todo o conteúdo dela e basta para comprovar propriedade, ônus e restrições. Se a matrícula tem mais de 20 anos, essa certidão já cobre o período.
Certidão vintenária na usucapião
Usucapião é a forma de virar dono pela posse prolongada. Na modalidade extraordinária do artigo 1.238 do Código Civil, a pessoa que possui o imóvel como seu por 15 anos, sem interrupção nem oposição, pode adquirir a propriedade, mesmo sem título e boa-fé. Outras modalidades têm prazos diferentes.
O pedido pode ir à Justiça ou ao próprio cartório. O artigo 216-A da Lei 6.015/1973 admite a usucapião no cartório de registro de imóveis da comarca, sempre com advogado, e lista documentos como estes:
- Ata notarial lavrada pelo tabelião sobre o tempo de posse.
- Planta e memorial descritivo assinados por profissional habilitado.
- Certidões negativas dos distribuidores da comarca do imóvel e do domicílio de quem pede.
- Justo título ou outros documentos que mostrem origem, continuidade, natureza e tempo da posse, como o pagamento de impostos.
O histórico do imóvel costuma ajudar a montar esse conjunto, porque mostra quem aparece no registro. Quem decide o que entra no pedido é o advogado, junto com o cartório. Se o seu caso envolve usucapião, procure um advogado antes de tirar certidões.
Como pedir, passo a passo
- Descubra o cartório certo. É o cartório de registro de imóveis da área onde o imóvel fica. Se o bairro já mudou de cartório, partes do histórico podem estar em outro.
- Tenha o número da matrícula. Ele aparece na escritura, no contrato de compra ou em certidão anterior. Sem ele, o cartório faz busca pelo endereço ou pelo nome do dono, o que pode demorar mais.
- Explique o período. Peça o histórico de 20 anos, ou o período que quem vai receber o documento exigir.
- Pague os emolumentos. O valor segue a tabela de cada estado e muda de cartório para cartório. Pergunte antes.
- Escolha o formato. A certidão eletrônica tem a mesma validade da impressa, pela Lei 6.015/1973.
Você não precisa ser o dono. O artigo 17 da mesma lei diz que qualquer pessoa pode pedir certidão sem informar o motivo. A lei também permite pedir, em qualquer cartório, certidão eletrônica de atos de outro cartório pelo Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (Serp).
Prazos e custos: o que a lei fixa
A Lei 6.015/1973 traz prazos máximos para certidões do registro de imóveis, contados do pagamento dos emolumentos:
| Tipo de certidão | Prazo máximo |
|---|---|
| Inteiro teor da matrícula, eletrônica, com número informado, pedida no expediente | 4 horas |
| Situação jurídica atualizada do imóvel | 1 dia |
| Certidão de transcrições e demais casos | 5 dias |
A corregedoria do Tribunal de Justiça do estado pode autorizar prazos maiores onde houver dificuldade de comunicação eletrônica. Como a certidão de 20 anos pode envolver livros antigos, confirme com o cartório em qual caso o seu pedido se encaixa.
Sobre o valor, não existe preço nacional. Cada estado tem sua tabela de emolumentos, e o CRECI-ES lembra que o custo pode variar de acordo com cada cartório.
Em outros Mundos
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Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado ou do cartório de registro de imóveis.
Fonte: Lei 6.015/1973, Planalto; Código Civil, Planalto; CRECI-ES. Verificado em 5 de novembro de 2026.
Perguntas frequentes
O que é certidão vintenária?
Certidão vintenária é o documento do cartório de registro de imóveis que mostra o histórico de registros de um imóvel nos últimos 20 anos. Ela reúne donos anteriores, transmissões e ônus do período. O nome é de uso prático: o pedido ao cartório costuma ser feito como certidão de histórico ou de cadeia dominial de 20 anos.
Para que serve a certidão vintenária?
Ela serve para conferir a cadeia de donos e as ocorrências registradas sobre o imóvel em 20 anos. Ajuda o comprador a ver hipoteca sem baixa, penhora, usufruto ou indisponibilidade. Também costuma ser usada como prova documental em pedido de usucapião, a critério do advogado e do cartório.
Onde pedir a certidão vintenária?
Você pede no cartório de registro de imóveis responsável pela matrícula do imóvel. Se o imóvel mudou de cartório ao longo dos anos, pode ser preciso pedir partes do histórico em mais de um. A Lei 6.015/1973 também permite pedir certidão eletrônica de outro cartório pelo Sistema Eletrônico dos Registros Públicos.
Preciso explicar ao cartório por que quero a certidão?
Não. O artigo 17 da Lei 6.015/1973 diz que qualquer pessoa pode requerer certidão do registro sem informar o motivo ou o interesse do pedido. Você não precisa ser dono do imóvel. Basta identificar bem o imóvel, de preferência com o número da matrícula, e pagar os emolumentos.
Quanto custa a certidão vintenária?
O valor depende do cartório e da tabela de emolumentos de cada estado. Por isso não existe um preço único nacional. Pergunte o valor ao cartório antes de pedir e confira se a busca envolve mais de uma matrícula ou livros antigos, o que pode mudar o total cobrado.
Quanto tempo demora para sair?
A lei fixa prazos máximos contados do pagamento: 4 horas para inteiro teor eletrônico da matrícula com número informado, 1 dia para situação jurídica atualizada e 5 dias para certidão de transcrições e demais casos. A corregedoria estadual pode autorizar prazos maiores em locais com dificuldade de comunicação eletrônica.
Qual a diferença entre certidão vintenária e quinzenária?
A diferença está no período coberto. A vintenária olha 20 anos de histórico, e a quinzenária olha 15 anos. A escolha depende de quem pede o documento, como banco, comprador ou advogado. Pergunte qual período eles exigem antes de pagar, para não tirar a certidão errada.
Certidão vintenária e certidão de ônus reais são a mesma coisa?
Não. A certidão de ônus mostra os ônus e restrições que valem hoje, como hipoteca e penhora. A vintenária mostra o histórico de 20 anos, com donos e atos antigos. Em compra comum, a certidão de situação jurídica atualizada costuma ser a mais pedida; o histórico entra quando há dúvida sobre a origem.
A certidão de inteiro teor da matrícula substitui a vintenária?
Às vezes. Pela Lei 6.015/1973, a certidão de inteiro teor da matrícula reproduz todo o conteúdo dela e basta para comprovar propriedade, ônus e restrições. Se a matrícula foi aberta há mais de 20 anos, ela já cobre o período. Se é recente, o histórico anterior fica em matrícula ou transcrição antiga.
O que é matrícula do imóvel?
Matrícula é o registro principal do imóvel no cartório, com número próprio, onde ficam a descrição do bem, o dono e os atos posteriores, como venda, hipoteca e penhora. Com o número da matrícula em mãos, o pedido de certidão fica mais rápido e com menos risco de erro.
O que é transcrição em registro de imóveis?
Transcrição é a forma antiga de registro, usada antes do sistema de matrículas. Imóveis com histórico longo podem ter atos anotados em livros de transcrição. Por isso a certidão de 20 anos pode exigir busca em livros antigos, o que costuma levar mais tempo que a certidão de uma matrícula digital.
A certidão vintenária é obrigatória na usucapião?
Não há resposta única. O artigo 216-A da Lei 6.015/1973 lista documentos para a usucapião no cartório, como ata notarial, planta, certidões negativas dos distribuidores e documentos que mostrem a origem e o tempo da posse. O histórico do imóvel costuma ajudar, mas quem define os anexos é o advogado com o cartório.
Quanto tempo de posse é preciso para usucapião?
Depende da modalidade. Na usucapião extraordinária do artigo 1.238 do Código Civil, são 15 anos de posse sem interrupção nem oposição, independentemente de título e boa-fé. Outras modalidades têm prazos e requisitos próprios. Procure um advogado para saber qual se aplica ao seu caso.
Posso pedir a certidão vintenária pela internet?
Pode, em boa parte dos casos. A Lei 6.015/1973 prevê certidões eletrônicas com a mesma validade da impressa e o pedido de certidão de outro cartório pelo Sistema Eletrônico dos Registros Públicos. Confira no site do cartório da matrícula se ele atende pedido de histórico online e qual o valor.
A certidão vintenária tem validade?
A lei não fixa um prazo de validade geral para ela. Na prática, quem recebe o documento costuma exigir certidão recente, porque o registro muda a cada novo ato. Banco, comprador ou tabelião definem a idade máxima que aceitam. Pergunte esse prazo antes de emitir, para não pagar duas vezes.
Qual o erro mais comum ao pedir o documento?
O erro mais comum é pedir no cartório errado ou sem o número da matrícula. Isso atrasa a busca e pode gerar cobrança extra. Outro erro é tirar só o histórico e esquecer a certidão atual de ônus, que mostra o que pesa sobre o imóvel hoje.
Quando procurar um advogado?
Procure um advogado quando a certidão mostrar penhora, hipoteca sem baixa, inventário não registrado, indisponibilidade ou divergência de nomes e áreas. Também quando o objetivo for usucapião, porque o pedido no cartório exige representação por advogado. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica.
Referências
- Lei 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos), Planalto. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6015compilada.htm.
- Código Civil (Lei 10.406/2002), Planalto. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm.
- CRECI-ES: Você sabe o que é uma certidão vintenária?. Disponível em: https://crecies.gov.br/voce-sabe-o-que-e-uma-certidao-vintenaria.
Fontes conferidas em 05 de novembro de 2026.