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Violência contra pessoas LGBT no Brasil: o que dizem os dados

Por Publicado em: Atualizado em: 4 min de leitura — visitas

Resposta rápida

Não há um número único e oficial de casos de lgbtfobia no Brasil. Cada fonte conta uma coisa diferente: a ANTRA documenta assassinatos de pessoas trans, o Disque 100 recebe denúncias e o Grupo Gay da Bahia compila notícias. O dado mais recente que consegui conferir é o da ANTRA: 80 pessoas trans e travestis assassinadas em 2025. Todos esses números são parciais, e parte dos casos não chega a ser registrada.

Este texto é informativo, trata de um tema sensível e não substitui orientação de órgãos oficiais, da polícia ou de profissionais de saúde.

Rápido: os dados são parciais e diferentes entre fontes. ANTRA, 2025: 80 assassinatos de pessoas trans (122 em 2024 e 145 em 2023). Para denunciar, ligue 190 em emergência ou Disque 100.

Se você precisa de ajuda agora

  • Emergência ou risco imediato: ligue 190 (Polícia Militar).
  • Denúncia de violação de direitos humanos: Disque 100, 24 horas, também por WhatsApp (61) 99611-0100.
  • Mulher em situação de violência: Ligue 180, gratuito, 24 horas.
  • Apoio emocional: CVV, telefone 188, gratuito, 24 horas.

Procure também a delegacia mais próxima, a Defensoria Pública ou um advogado.

O que a ANTRA registrou

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) publica um dossiê anual. A 9ª edição, de janeiro de 2026, traz dados de 2025:

Ano Assassinatos de pessoas trans documentados
2023 145
2024 122
2025 80

Do total de 2025, 77 vítimas eram travestis e mulheres trans e 3 eram homens trans ou pessoas transmasculinas. De 2017 a 2025, a ANTRA mapeou 1.261 assassinatos de pessoas trans no país.

A própria organização ressalva que a queda de 34% não significa melhora no cenário. Ela aponta aumento de tentativas de assassinato, subnotificação e dificuldades de monitoramento. A ANTRA afirma ainda que o Brasil segue sendo o país que mais mata pessoas trans, mas esse ranking considera só os países que fazem esse tipo de levantamento.

Como a ANTRA conta

Os dados vêm de informações públicas, sobretudo de casos publicados na mídia e achados em buscadores. Em 2025, a ANTRA descartou 12 mortes que não se enquadravam nos critérios, que consideram apenas crimes violentos letais intencionais. O resultado é um número mínimo documentado.

Grupo Gay da Bahia e Disque 100

O Grupo Gay da Bahia é uma organização de Salvador que documenta mortes violentas de pessoas LGBT a partir de notícias e recortes de mídia, e não de estatísticas oficiais. Seu relatório mais recente que encontrei trata de 2024, mas não consegui confirmar o número ali.

O Disque 100 é o canal do governo para denúncias de violações de direitos humanos e alimenta um painel de dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Não consegui abrir números específicos de pessoas LGBT nesse painel, então não os cito. Veja o painel no site do ministério.

Por que não dá para comparar as fontes

  • A ANTRA conta assassinatos de pessoas trans. Não inclui outras violências nem outras pessoas LGBT.
  • O Disque 100 conta denúncias, que dependem de a pessoa denunciar.
  • O Grupo Gay da Bahia depende de a mídia noticiar.

O IBGE lembra, em sua pesquisa de 2019 sobre orientação sexual, que o estigma social e o medo da discriminação e da violência fazem algumas pessoas evitarem se identificar. Isso também afeta a captação de dados.

Posição do Brasil: o que se sabe

Não encontrei um ranking confiável de lgbtfobia por país. O que existe são índices de direitos e opinião. Na Equaldex, o Brasil está na 21ª posição, com nota 74, mas esse índice não mede violência. Veja Países mais seguros para pessoas LGBT: o que dizem os rankings.

Continue lendo

Para o contexto legal e demográfico, leia Em quais países o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal e Quantos LGBT existem no Brasil: o que dizem IBGE e pesquisas. Para um tema mais leve, veja Dia dos Namorados no mundo: datas e costumes por país.

Fonte e data

Fontes: ANTRA (Dossiê 2026), Grupo Gay da Bahia, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (Disque 100 e painel da ONDH), Ministério das Mulheres (Ligue 180), CVV, IBGE (PNS 2019) e Equaldex. Verificado em 6 de outubro de 2026. Este artigo é informativo e não substitui orientação de profissional, da polícia ou de órgãos oficiais.

Perguntas frequentes

Quantos casos de lgbtfobia há no Brasil?

Não há um número único e oficial que reúna todos os casos. Cada fonte conta de um jeito. O dossiê da ANTRA, por exemplo, contou 80 assassinatos de pessoas trans em 2025, a partir de casos publicados na mídia. Os números são sempre parciais, porque parte dos casos não chega a ser registrada.

Quantos casos de lgbtfobia no Brasil?

Depende da fonte e do tipo de violência. A ANTRA registrou 80 assassinatos de travestis e pessoas trans em 2025, em seu dossiê de 2026. O Disque 100 e o Grupo Gay da Bahia também produzem dados, com métodos diferentes. Para o número mais recente, consulte cada fonte.

Quantos LGBT são agredidos no Brasil?

Não encontrei um número oficial confiável de agressões a pessoas LGBT nas fontes que abri. Os dados disponíveis vêm de denúncias e de levantamentos de organizações, e cada um tem limites. Em caso de agressão, a recomendação é procurar a polícia ou o Disque 100.

Qual a posição do Brasil em homofobia?

Não existe um ranking único e confiável de homofobia. A ANTRA afirma que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans, mas ressalta que esse ranking considera só países que fazem esse tipo de levantamento. A Equaldex, que mede direitos e opinião, coloca o Brasil em 21º.

Qual o país mais lgbtfobia?

Nenhuma fonte que abri traz um ranking confiável de lgbtfobia por país. O que existe são índices de direitos e opinião, como o da Equaldex, que mostra o Afeganistão no último lugar, com nota 1. Esse índice mede leis e atitudes, e não ocorrências de violência.

O que é lgbtfobia?

Lgbtfobia é o preconceito, a discriminação ou a violência contra pessoas por causa de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Pode ser física, verbal ou institucional. Se você sofreu ou viu um caso, procure a polícia ou o Disque 100. Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica.

O que é o dossiê da ANTRA?

É um relatório anual da Associação Nacional de Travestis e Transexuais sobre assassinatos e violências contra pessoas trans no Brasil. A edição de 2026, a nona, traz dados de 2025. A ANTRA trabalha com informações públicas, principalmente casos publicados na mídia.

Quantos assassinatos de pessoas trans a ANTRA registrou em 2025?

O dossiê registra 80 assassinatos de pessoas trans e travestis em 2025, queda de 34% em relação a 2024, quando foram 122. Em 2023, foram 145. A própria ANTRA diz que a queda numérica não significa melhora do cenário, e alerta para subnotificação e aumento de tentativas.

Qual a metodologia da ANTRA?

A ANTRA usa informações públicas, principalmente casos publicados na mídia e encontrados por buscadores, e depois verifica cada caso. Em 2025, foram descartadas 12 mortes que não se enquadravam nos critérios, que consideram apenas crimes violentos letais intencionais. Por isso o número é um mínimo documentado.

O número da ANTRA é todos os casos de violência trans?

Não. O número de 80 em 2025 se refere a assassinatos documentados. A própria ANTRA aponta subnotificação e dificuldade de monitoramento. Não inclui todas as agressões, ameaças e outras violências, e não cobre pessoas LGBT que não são trans.

O que é o Grupo Gay da Bahia?

O Grupo Gay da Bahia é uma organização LGBT sediada em Salvador que documenta violência e luta contra a discriminação. Seus levantamentos se baseiam em notícias e recortes de mídia, e não em estatísticas oficiais do governo, o que limita a comparação com outras fontes.

O que é o Disque 100?

É o canal do governo federal para denunciar violações de direitos humanos, funcionando 24 horas pelo número 100, por WhatsApp, Telegram e site, segundo o Ministério dos Direitos Humanos. É descrito como um pronto-socorro dos direitos humanos. A página do ministério indica um painel de dados da ONDH para consulta.

Como denunciar uma agressão ou discriminação?

Em emergência, ligue 190 para a polícia. Para denunciar violações de direitos humanos, use o Disque 100, que funciona 24 horas. Você também pode procurar uma delegacia, a Defensoria Pública ou um advogado. Se for mulher em situação de violência, o Ligue 180 também atende, 24 horas.

O Disque 100 mostra dados sobre pessoas LGBT?

O Ministério dos Direitos Humanos mantém um painel de dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos sobre as denúncias. Nesta consulta, não consegui abrir números específicos sobre pessoas LGBT, por isso não os cito. Para ver os dados atualizados, acesse o painel no site do ministério.

Por que as fontes têm números diferentes?

Porque cada uma conta algo distinto. A ANTRA conta assassinatos de pessoas trans, o Disque 100 conta denúncias recebidas e o Grupo Gay da Bahia compila notícias. Cada método tem limites, e parte dos casos não é registrada. Por isso, os números não podem ser somados nem comparados diretamente.

Por que os dados oficiais são difíceis de achar?

A própria ANTRA relata dificuldades de monitoramento e falta de produção de informações governamentais. O IBGE, por sua vez, só passou a investigar orientação sexual em 2019, em caráter experimental. Ainda faltam bases oficiais que cruzem violência com orientação sexual e identidade de gênero.

Onde buscar apoio emocional?

O CVV, Centro de Valorização da Vida, oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188, além de chat e e-mail. Não substitui atendimento de saúde, mas pode ajudar em um momento difícil. Em risco imediato, ligue 190 ou procure um serviço de saúde.

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Referências

Fontes conferidas em 6 de outubro de 2026.

Escrito por

Equipe editorial

Equipe que pesquisa, escreve e revisa os guias do MundoBlá. Todo conteúdo cita fontes oficiais e mostra a data da última conferência. Perfis de especialistas reais entram aqui só quando houver pessoa verificada.

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