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História do movimento LGBT: do mundo ao Brasil

Por Publicado em: Atualizado em: 7 min de leitura — visitas

Resposta rápida

O movimento LGBT não tem um único fundador nem uma única data de início. Ele se formou ao longo de décadas, em diferentes países, e ganhou projeção mundial com a revolta de Stonewall, em Nova York, em 28 de junho de 1969. No Brasil, a organização começou em 1978, com o grupo Somos e o jornal Lampião da Esquina.

O que é o movimento LGBT

O movimento LGBT é o conjunto de lutas, grupos e iniciativas que defendem direitos, respeito e visibilidade para lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e outras identidades. A sigla mudou com o tempo. Hoje aparece também como LGBTQIA+ e LGBTQIAPN+, e o jornal O Povo registra que ela evoluiu para representar a diversidade de identidades. Para entender o significado das letras, leia O que significa LGBTQIA e por que não se usa mais GLS.

Este texto resume a origem do movimento, com datas e fatos conferidos em fontes abertas. Ele não atribui o começo a uma pessoa só, porque as fontes não permitem isso.

Antes de Stonewall

O National Park Service, órgão do governo dos Estados Unidos, lembra que, antes dos anos 1960, quase tudo ligado a viver com autenticidade como lésbica, bissexual ou gay era ilegal no país. Foi nesse cenário que a revolta de 1969 aconteceu.

O documento de fundação do monumento de Stonewall descreve que o episódio foi inspirado por ativistas e protestos anteriores e que transformou o chamado movimento homófilo em um movimento político de massa, nacional e público. Ou seja, Stonewall não surgiu do nada: foi um ponto de virada de uma luta que já existia.

A revolta de Stonewall, em 1969

Na madrugada de 28 de junho de 1969, a polícia de Nova York fez uma batida no bar Stonewall Inn. O público do bar resistiu, e o confronto se estendeu pelas ruas vizinhas por dias, segundo o National Park Service.

O órgão descreve a revolta como uma resistência espontânea à opressão institucional e a leis injustas. Segundo o mesmo documento, ela impulsionou o movimento LGBTQ, ganhou manchetes e encorajou mais pessoas a se assumirem e a defender igualdade. O local foi reconhecido como Marco Histórico Nacional (National Historic Landmark) em 2000.

O jornal O Povo destaca ainda o papel de Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, duas mulheres trans que atuaram na revolta e criaram uma organização para oferecer abrigo e visibilidade a pessoas trans e travestis.

As primeiras marchas e os símbolos

Em 1970, as marchas do primeiro aniversário de Stonewall ocorreram em cidades como Nova York, Los Angeles e Chicago, segundo O Povo. Em Nova York, o evento se chamou Christopher Street Liberation Day. Brenda Howard, ativista bissexual, coordenou a semana de eventos e é lembrada como Mãe do Orgulho.

Em 1978, o artista Gilbert Baker confeccionou a bandeira com as cores do arco-íris, que virou símbolo da luta, de acordo com a mesma reportagem. Para conhecer as bandeiras do movimento, veja Bandeiras LGBTQIA+: nomes e significados.

A saúde e a retirada da lista de doenças

Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças, segundo reportagem do Poder360 com a DW Brasil. A data se tornou referência para o Dia de Combate à LGBTfobia. Para saber mais, leia Dia contra a LGBTfobia: 17 de maio.

O movimento no Brasil

No Brasil, a organização mais ativa começou em 1978, em plena ditadura militar. Segundo um trabalho apresentado à ANPUH, o grupo Somos, de São Paulo, foi o primeiro grupo voltado a homossexuais, e o jornal Lampião da Esquina circulou com sua edição número zero em abril de 1978.

O Povo registra que João Silvério Trevisan e João Antônio Mascarenhas participaram da fundação do Somos e do Lampião, e que Luiz Mott fundou o Grupo Gay da Bahia em 1980. A ANPUH relata que, em fevereiro de 1979, a Semana de Minorias na USP incluiu homossexuais no debate público.

O panorama brasileiro com marcos principais está em Movimento LGBT no Brasil: como começou e marcos principais. Para conhecer nomes e entidades, veja Quem lutou pelos direitos LGBT no Brasil.

As paradas

A primeira Parada do Orgulho LGBT de São Paulo ocorreu em 28 de junho de 1997, na Avenida Paulista, com cerca de 2 mil pessoas, segundo o Brasil de Fato. Em 1996, ativistas já haviam feito um ato na Praça Roosevelt. Em 2006, a parada entrou no Guinness como a maior do mundo, com 2,5 milhões de participantes, de acordo com O Povo. Em 7 de junho de 2026, ela chegou à 30ª edição.

Os detalhes sobre as primeiras paradas no mundo e no Brasil estão em Primeira Parada LGBT: onde e quando aconteceu.

Marcos legais no Brasil

  • 5 de maio de 2011: o STF reconheceu, por unanimidade, as uniões estáveis homoafetivas como entidades familiares, no julgamento da ADPF 132 e da ADI 4277.
  • 14 de maio de 2013: a Resolução nº 175 do CNJ proibiu os cartórios de recusar o casamento civil ou a conversão de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo.
  • 13 de junho de 2019: o STF decidiu, por 8 votos a 3, enquadrar a homofobia e a transfobia no crime de racismo, até que o Congresso edite lei específica, e reafirmou a liberdade religiosa desde que não haja discurso discriminatório.

A lista completa de conquistas está em Conquistas do movimento LGBT no Brasil e no mundo.

Por que não se atribui o movimento a um único fundador

Quando alguém pergunta quem iniciou o movimento LGBT, a resposta honesta é que não houve uma pessoa só. O National Park Service diz que Stonewall foi inspirado por ativistas e protestos anteriores e que levou à multiplicação de grupos de ativismo e de convivência, dentro e fora dos Estados Unidos.

O jornal O Povo dá nomes a parte dessa história: Brenda Howard, Marsha P. Johnson, Sylvia Rivera e, no Brasil, João Silvério Trevisan, João Antônio Mascarenhas e Luiz Mott. Cada um agiu em um momento e em um lugar. Atribuir tudo a uma pessoa apagaria o trabalho das outras.

Linha do tempo resumida

Ano O que aconteceu Onde
28 de junho de 1969 Batida policial no Stonewall Inn e dias de protestos Nova York, EUA
1970 Marchas do primeiro aniversário em Nova York, Los Angeles e Chicago EUA
1978 Grupo Somos e jornal Lampião da Esquina; bandeira do arco-íris de Gilbert Baker Brasil e EUA
1980 Fundação do Grupo Gay da Bahia, por Luiz Mott Brasil
17 de maio de 1990 OMS retira a homossexualidade da CID Mundo
28 de junho de 1997 Primeira Parada de São Paulo Brasil
5 de maio de 2011 STF reconhece a união estável homoafetiva Brasil
14 de maio de 2013 CNJ proíbe a recusa de casamento civil entre pessoas do mesmo sexo Brasil
13 de junho de 2019 STF enquadra a homofobia e a transfobia no crime de racismo Brasil

O que essa história ensina

Três ideias se repetem nas fontes. A primeira é que o movimento nasceu de resistência a perseguição, e não de concessão. A segunda é que a organização coletiva, com grupos, jornais e marchas, veio antes das leis. A terceira é que as conquistas jurídicas no Brasil vieram, em grande parte, por decisões do Judiciário, como as do STF e do CNJ.

Isso não quer dizer que a história esteja fechada. Cada fonte conta uma parte, e os dados mudam quando novas pesquisas surgem. Por isso este guia cita a origem de cada informação.

Como conferir informações sobre o tema

Desconfie de textos que atribuem o movimento a uma só pessoa, que dão datas sem fonte ou que misturam fatos com opinião. Prefira fontes oficiais, como o National Park Service, o STF e o CNJ, e reportagens que citam os documentos. Em caso de dúvida, volte à fonte original.

Outras histórias de origem no site

Se você gosta de saber como as coisas começaram, leia também Quem criou o Pix e como surgiu, Quem criou a Tele Sena e como ela surgiu e Quantos anos tem a Tele Sena e qual a sua história.

Glossário rápido

  • Homófilo: nome dado ao movimento anterior a Stonewall nos Estados Unidos.
  • Orgulho: celebração e afirmação de identidade, lembrada em junho.
  • LGBTfobia: preconceito e discriminação contra pessoas LGBT.

Rápido: o movimento LGBT não tem fundador único. Stonewall, em 1969, é o marco mais citado no mundo, e 1978 é o marco da organização no Brasil.

Este conteúdo é informativo e respeita todas as pessoas. Os dados vêm das fontes citadas e podem ser revistos.

Fontes: National Park Service, O Povo, Brasil de Fato, ANPUH, Poder360 com DW Brasil, STF, CNJ e Agência Brasil, citados acima. Verificado em 6 de outubro de 2026.

Perguntas frequentes

Como surgiu o movimento LGBT?

O movimento surgiu de lutas locais por direitos e visibilidade, e ganhou força mundial após a revolta de Stonewall, em Nova York, em 28 de junho de 1969. O National Park Service descreve o episódio como catalisador do movimento moderno. No Brasil, a organização começou em 1978, com o grupo Somos e o jornal Lampião da Esquina.

Quem iniciou o movimento LGBT?

Nenhuma pessoa ou grupo único. Antes de Stonewall já existia um movimento de homens e mulheres que defendiam direitos, chamado homófilo nos Estados Unidos. Stonewall foi uma resistência espontânea que acelerou a organização. Pessoas como Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera tiveram papel importante nesse período.

Onde se iniciou o movimento LGBT?

Não há um único lugar de origem. O marco mais citado é o bar Stonewall Inn, no bairro de Greenwich Village, em Nova York, em 1969. O movimento, porém, tem raízes em organizações anteriores nos Estados Unidos e em grupos de outros países, como o Somos, criado em São Paulo em 1978.

Em que ano foi criado o movimento LGBT?

Não existe um ano de criação. O ano de referência mais conhecido é 1969, por causa de Stonewall, mas o movimento foi se formando ao longo de décadas e em países diferentes. No Brasil, 1978 é o marco da organização, com o grupo Somos e o jornal Lampião da Esquina.

Como o movimento LGBT surgiu?

Foi uma construção coletiva: resistência a batidas policiais, grupos de apoio, jornais e manifestações. Em Nova York, uma batida policial no Stonewall Inn, em 28 de junho de 1969, gerou dias de protestos. No ano seguinte, houve marchas em cidades como Nova York, Los Angeles e Chicago.

Quem fundou o movimento LGBTQIA+?

Ninguém fundou sozinho. O movimento é fruto de pessoas e grupos em tempos e países diferentes. Entre nomes lembrados estão Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, que fundaram uma organização de apoio a pessoas trans, e, no Brasil, João Silvério Trevisan, João Antônio Mascarenhas e Luiz Mott.

Qual a origem do movimento LGBT?

A origem está na luta contra perseguição e leis discriminatórias. O National Park Service lembra que, antes dos anos 1960, quase tudo ligado a viver com autenticidade como lésbica, bissexual ou gay era ilegal nos Estados Unidos. Stonewall virou símbolo de reação e levou a uma organização em massa.

Qual a história do LGBT?

Em resumo: perseguição e silêncio até meados do século 20, organização de grupos, a revolta de Stonewall em 1969, as primeiras marchas em 1970, a retirada da homossexualidade da classificação de doenças da OMS em 1990 e conquistas legais em diferentes países. No Brasil, o marco é 1978, e as decisões do STF vieram em 2011 e 2019.

O que foi a revolta de Stonewall?

Foi uma série de protestos que começou na madrugada de 28 de junho de 1969, após uma batida da polícia de Nova York no bar Stonewall Inn. A resistência do público do bar se estendeu por dias. O National Park Service a considera o catalisador do movimento LGBTQ moderno.

Quem foram Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera?

Foram duas mulheres trans que atuaram na revolta de Stonewall e criaram uma organização para dar abrigo e visibilidade a pessoas trans e travestis, segundo o jornal O Povo. Sylvia Rivera também discursou sobre a exclusão de pessoas trans e negras dentro do movimento da época.

Quando e onde foi a primeira marcha do orgulho?

As primeiras marchas ocorreram em 1970, no aniversário de Stonewall, em cidades como Nova York, Los Angeles e Chicago. Em Nova York, o evento se chamou Christopher Street Liberation Day. Brenda Howard, ativista bissexual, coordenou a semana de eventos e é lembrada como Mãe do Orgulho.

Quando a homossexualidade deixou de ser considerada doença?

Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças, segundo reportagem do Poder360 com a DW. A data se tornou referência para o Dia de Combate à LGBTfobia, lembrado em 17 de maio.

Como começou o movimento LGBT no Brasil?

Em 1978, durante a ditadura militar, com o grupo Somos, em São Paulo, e o jornal Lampião da Esquina. Segundo estudo da ANPUH, o Somos foi o primeiro grupo voltado a homossexuais. Em 1979, a Semana de Minorias na USP levou o tema a um debate público.

O que o STF decidiu sobre união homoafetiva?

Em 5 de maio de 2011, o STF reconheceu por unanimidade que as uniões estáveis homoafetivas são entidades familiares, com os mesmos direitos e deveres das uniões heterossexuais. A decisão veio do julgamento conjunto da ADPF 132 e da ADI 4277, com voto do relator, ministro Ayres Britto.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido no Brasil?

Sim. A Resolução nº 175, de 14 de maio de 2013, do CNJ, proíbe os cartórios de recusar a habilitação, a celebração de casamento civil ou a conversão de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo. A norma entrou em vigor na data da publicação.

O que o STF decidiu sobre homofobia em 2019?

Em 13 de junho de 2019, o STF decidiu, por 8 votos a 3, enquadrar a homofobia e a transfobia no crime de racismo, até que o Congresso edite lei específica. A decisão também afirma que a punição não restringe a liberdade religiosa, desde que não haja discurso discriminatório.

O que significa a sigla LGBTQIAPN+?

A sigla evoluiu para representar a diversidade de identidades. Segundo o jornal O Povo, ela abrange lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, intersexo, assexuais, panssexuais e não binários, e o sinal de mais indica outras identidades. O uso da sigla varia entre grupos e com o tempo.

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Referências

Fontes conferidas em 6 de outubro de 2026.

Escrito por

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