O que é o movimento LGBT
O movimento LGBT é o conjunto de lutas, grupos e iniciativas que defendem direitos, respeito e visibilidade para lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e outras identidades. A sigla mudou com o tempo. Hoje aparece também como LGBTQIA+ e LGBTQIAPN+, e o jornal O Povo registra que ela evoluiu para representar a diversidade de identidades. Para entender o significado das letras, leia O que significa LGBTQIA e por que não se usa mais GLS.
Este texto resume a origem do movimento, com datas e fatos conferidos em fontes abertas. Ele não atribui o começo a uma pessoa só, porque as fontes não permitem isso.
Antes de Stonewall
O National Park Service, órgão do governo dos Estados Unidos, lembra que, antes dos anos 1960, quase tudo ligado a viver com autenticidade como lésbica, bissexual ou gay era ilegal no país. Foi nesse cenário que a revolta de 1969 aconteceu.
O documento de fundação do monumento de Stonewall descreve que o episódio foi inspirado por ativistas e protestos anteriores e que transformou o chamado movimento homófilo em um movimento político de massa, nacional e público. Ou seja, Stonewall não surgiu do nada: foi um ponto de virada de uma luta que já existia.
A revolta de Stonewall, em 1969
Na madrugada de 28 de junho de 1969, a polícia de Nova York fez uma batida no bar Stonewall Inn. O público do bar resistiu, e o confronto se estendeu pelas ruas vizinhas por dias, segundo o National Park Service.
O órgão descreve a revolta como uma resistência espontânea à opressão institucional e a leis injustas. Segundo o mesmo documento, ela impulsionou o movimento LGBTQ, ganhou manchetes e encorajou mais pessoas a se assumirem e a defender igualdade. O local foi reconhecido como Marco Histórico Nacional (National Historic Landmark) em 2000.
O jornal O Povo destaca ainda o papel de Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, duas mulheres trans que atuaram na revolta e criaram uma organização para oferecer abrigo e visibilidade a pessoas trans e travestis.
As primeiras marchas e os símbolos
Em 1970, as marchas do primeiro aniversário de Stonewall ocorreram em cidades como Nova York, Los Angeles e Chicago, segundo O Povo. Em Nova York, o evento se chamou Christopher Street Liberation Day. Brenda Howard, ativista bissexual, coordenou a semana de eventos e é lembrada como Mãe do Orgulho.
Em 1978, o artista Gilbert Baker confeccionou a bandeira com as cores do arco-íris, que virou símbolo da luta, de acordo com a mesma reportagem. Para conhecer as bandeiras do movimento, veja Bandeiras LGBTQIA+: nomes e significados.
A saúde e a retirada da lista de doenças
Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças, segundo reportagem do Poder360 com a DW Brasil. A data se tornou referência para o Dia de Combate à LGBTfobia. Para saber mais, leia Dia contra a LGBTfobia: 17 de maio.
O movimento no Brasil
No Brasil, a organização mais ativa começou em 1978, em plena ditadura militar. Segundo um trabalho apresentado à ANPUH, o grupo Somos, de São Paulo, foi o primeiro grupo voltado a homossexuais, e o jornal Lampião da Esquina circulou com sua edição número zero em abril de 1978.
O Povo registra que João Silvério Trevisan e João Antônio Mascarenhas participaram da fundação do Somos e do Lampião, e que Luiz Mott fundou o Grupo Gay da Bahia em 1980. A ANPUH relata que, em fevereiro de 1979, a Semana de Minorias na USP incluiu homossexuais no debate público.
O panorama brasileiro com marcos principais está em Movimento LGBT no Brasil: como começou e marcos principais. Para conhecer nomes e entidades, veja Quem lutou pelos direitos LGBT no Brasil.
As paradas
A primeira Parada do Orgulho LGBT de São Paulo ocorreu em 28 de junho de 1997, na Avenida Paulista, com cerca de 2 mil pessoas, segundo o Brasil de Fato. Em 1996, ativistas já haviam feito um ato na Praça Roosevelt. Em 2006, a parada entrou no Guinness como a maior do mundo, com 2,5 milhões de participantes, de acordo com O Povo. Em 7 de junho de 2026, ela chegou à 30ª edição.
Os detalhes sobre as primeiras paradas no mundo e no Brasil estão em Primeira Parada LGBT: onde e quando aconteceu.
Marcos legais no Brasil
- 5 de maio de 2011: o STF reconheceu, por unanimidade, as uniões estáveis homoafetivas como entidades familiares, no julgamento da ADPF 132 e da ADI 4277.
- 14 de maio de 2013: a Resolução nº 175 do CNJ proibiu os cartórios de recusar o casamento civil ou a conversão de união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo.
- 13 de junho de 2019: o STF decidiu, por 8 votos a 3, enquadrar a homofobia e a transfobia no crime de racismo, até que o Congresso edite lei específica, e reafirmou a liberdade religiosa desde que não haja discurso discriminatório.
A lista completa de conquistas está em Conquistas do movimento LGBT no Brasil e no mundo.
Por que não se atribui o movimento a um único fundador
Quando alguém pergunta quem iniciou o movimento LGBT, a resposta honesta é que não houve uma pessoa só. O National Park Service diz que Stonewall foi inspirado por ativistas e protestos anteriores e que levou à multiplicação de grupos de ativismo e de convivência, dentro e fora dos Estados Unidos.
O jornal O Povo dá nomes a parte dessa história: Brenda Howard, Marsha P. Johnson, Sylvia Rivera e, no Brasil, João Silvério Trevisan, João Antônio Mascarenhas e Luiz Mott. Cada um agiu em um momento e em um lugar. Atribuir tudo a uma pessoa apagaria o trabalho das outras.
Linha do tempo resumida
| Ano | O que aconteceu | Onde |
|---|---|---|
| 28 de junho de 1969 | Batida policial no Stonewall Inn e dias de protestos | Nova York, EUA |
| 1970 | Marchas do primeiro aniversário em Nova York, Los Angeles e Chicago | EUA |
| 1978 | Grupo Somos e jornal Lampião da Esquina; bandeira do arco-íris de Gilbert Baker | Brasil e EUA |
| 1980 | Fundação do Grupo Gay da Bahia, por Luiz Mott | Brasil |
| 17 de maio de 1990 | OMS retira a homossexualidade da CID | Mundo |
| 28 de junho de 1997 | Primeira Parada de São Paulo | Brasil |
| 5 de maio de 2011 | STF reconhece a união estável homoafetiva | Brasil |
| 14 de maio de 2013 | CNJ proíbe a recusa de casamento civil entre pessoas do mesmo sexo | Brasil |
| 13 de junho de 2019 | STF enquadra a homofobia e a transfobia no crime de racismo | Brasil |
O que essa história ensina
Três ideias se repetem nas fontes. A primeira é que o movimento nasceu de resistência a perseguição, e não de concessão. A segunda é que a organização coletiva, com grupos, jornais e marchas, veio antes das leis. A terceira é que as conquistas jurídicas no Brasil vieram, em grande parte, por decisões do Judiciário, como as do STF e do CNJ.
Isso não quer dizer que a história esteja fechada. Cada fonte conta uma parte, e os dados mudam quando novas pesquisas surgem. Por isso este guia cita a origem de cada informação.
Como conferir informações sobre o tema
Desconfie de textos que atribuem o movimento a uma só pessoa, que dão datas sem fonte ou que misturam fatos com opinião. Prefira fontes oficiais, como o National Park Service, o STF e o CNJ, e reportagens que citam os documentos. Em caso de dúvida, volte à fonte original.
Outras histórias de origem no site
Se você gosta de saber como as coisas começaram, leia também Quem criou o Pix e como surgiu, Quem criou a Tele Sena e como ela surgiu e Quantos anos tem a Tele Sena e qual a sua história.
Glossário rápido
- Homófilo: nome dado ao movimento anterior a Stonewall nos Estados Unidos.
- Orgulho: celebração e afirmação de identidade, lembrada em junho.
- LGBTfobia: preconceito e discriminação contra pessoas LGBT.
Rápido: o movimento LGBT não tem fundador único. Stonewall, em 1969, é o marco mais citado no mundo, e 1978 é o marco da organização no Brasil.
Este conteúdo é informativo e respeita todas as pessoas. Os dados vêm das fontes citadas e podem ser revistos.
Fontes: National Park Service, O Povo, Brasil de Fato, ANPUH, Poder360 com DW Brasil, STF, CNJ e Agência Brasil, citados acima. Verificado em 6 de outubro de 2026.