O que é TDAH
TDAH é a sigla de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. O diagnóstico é clínico, ou seja, feito por profissional a partir de entrevista, histórico e observação, e não por exame de sangue ou imagem. Este texto não detalha critérios técnicos, porque eles pertencem ao profissional e variam conforme o instrumento usado.
Sinais que levam adultos a buscar avaliação
Adultos que procuram avaliação costumam relatar:
- dificuldade para manter a atenção em tarefas longas ou pouco interessantes;
- esquecimentos frequentes de compromissos e objetos;
- desorganização e atrasos recorrentes;
- adiar tarefas e dificuldade de começar ou terminar;
- sensação de inquietação interna;
- impacto no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos.
Esses sinais são queixas comuns, e não critério de diagnóstico. Eles também aparecem em outras situações, como estresse, ansiedade, depressão e falta de sono, e é justamente por isso que a avaliação precisa ser feita por profissional.
Dispersão não é, sozinha, transtorno
Todo mundo se distrai, esquece e procrastina às vezes. O que muda no caso de um transtorno é a intensidade, a persistência ao longo da vida e o prejuízo real na rotina. Quem avalia observa se as dificuldades vêm desde a infância, se aparecem em mais de um ambiente e se outra explicação serve melhor.
Por isso, "me identifiquei com um vídeo" não é critério. Pode ser um bom motivo para buscar uma conversa com o profissional, e só.
Testes online
Questionários online podem, no máximo, servir como ponto de partida. Eles não diagnosticam, e resultado "positivo" ou "negativo" nesses sites não substitui consulta. Desconfie de páginas que prometem diagnóstico, vendem tratamento ou pedem seus dados pessoais.
Como é a avaliação
Os serviços variam, mas em geral a avaliação inclui:
- Entrevista sobre sua história desde a infância, queixas atuais e impacto na vida.
- Descarte de outras explicações, como ansiedade, depressão e problemas de sono.
- Instrumentos e questionários, quando o profissional achar útil.
- Informações de pessoas próximas ou documentos antigos, como boletins.
O profissional explica o processo na primeira consulta. Pergunte quantas sessões são necessárias e como será o retorno.
Quem avalia e onde buscar
O diagnóstico é feito por profissionais de saúde habilitados, como médicos (psiquiatra, neurologista) e psicólogos, conforme o caso. O primeiro passo pode ser um clínico geral ou a unidade básica de saúde.
O Ministério da Saúde informa que os serviços de saúde mental são organizados na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O atendimento pode ser iniciado por procura direta ou por encaminhamento de outros serviços de saúde. O Ministério também mantém a Ouvidoria-Geral do SUS para denúncias e informações. Procure o serviço da sua região para saber como funciona o acolhimento.
Como se preparar para a consulta
- Anote exemplos concretos: situações em que a atenção atrapalhou, quando começou, em quais lugares aparece.
- Peça a alguém de confiança que descreva o que percebe em você.
- Leve boletins ou relatórios antigos, se tiver.
- Liste remédios, suplementos, álcool e outras substâncias que usa.
- Conte como está o sono, a alimentação e o nível de estresse.
O que não fazer
- Tomar remédio de colega ou comprado sem receita "para ajudar a concentrar".
- Se autodiagnosticar por vídeo ou teste de internet.
- Usar suplemento ou chá como tratamento. A Anvisa afirma que suplementos não servem para tratar doenças.
- Rotular outra pessoa (filho, colega, parceiro) com base em sinais.
Perguntas para o profissional
- Os meus sinais podem ter outra explicação?
- Como será a avaliação, quanto tempo leva e o que preciso levar?
- Se houver diagnóstico, qual é o acompanhamento recomendado?
- Que apoios existem além de medicamento?
Outros temas
Veja também eosinófilos: o que são e o que o exame de sangue mostra, ureia baixa no exame de sangue, anemia: sinais comuns e o que mostra o exame de sangue e diabetes: sinais comuns e exames para confirmar. Para outra avaliação clínica, leia autismo: sinais comuns e como buscar avaliação.
Como conversar com a família e com o trabalho
Se você decidiu buscar avaliação, não precisa explicar tudo para todo mundo. Converse com quem pode ajudar, como um familiar que conviveu com você na infância, e peça relatos objetivos de situações concretas. No trabalho ou nos estudos, vale esperar a avaliação antes de compartilhar um diagnóstico que ainda não existe. Se houver necessidade de ajustes, o profissional orienta como proceder.
Um registro simples antes da consulta
| Situação | Quando acontece | O que atrapalha | Desde quando |
|---|---|---|---|
| exemplo: reuniões longas | toda semana | perder o fio da conversa | desde a escola |
Dez linhas assim valem mais que uma descrição geral, porque dão ao profissional exemplos reais para avaliar.
Ao final da avaliação, peça ao profissional que explique o resultado em linguagem simples e registre o que ficou combinado. Se tiver dúvida sobre a conclusão, é legítimo buscar uma segunda opinião de outro profissional habilitado.
Fonte e data
Fonte: Ministério da Saúde, página sobre saúde mental (RAPS, CAPS e OuvSUS). Critérios técnicos de diagnóstico não são citados neste texto, porque pertencem ao profissional que avalia. Verificado em 7 de outubro de 2026. Converse com um profissional de saúde.