O que são pronomes e por que importam
Em português, o pronome pessoal que fala de uma terceira pessoa costuma marcar gênero: ele para masculino, ela para feminino. Há quem passe a vida sem pensar nisso, porque o pronome que os outros usam já combina com quem ela é.
Para outras pessoas, o pronome é um ponto sensível. Ser chamado por um pronome que não corresponde à própria identidade pode causar desconforto, mesmo quando não há má intenção. Por isso, usar o pronome certo funciona como um gesto simples de respeito, que custa quase nada.
Os pronomes mais comuns: ele, ela e elu
- Ele: usado por homens, inclusive homens trans, e por algumas pessoas não binárias.
- Ela: usado por mulheres, inclusive mulheres trans, e por algumas pessoas não binárias.
- Elu: pronome neutro, pensado para quem não se reconhece nem como homem nem como mulher. Os adjetivos que acompanham costumam ter a terminação em e, como bonite, e o possessivo é delu.
O eCycle explica que a pessoa não binária é aquela que não se reconhece nem como homem nem como mulher, e dá exemplos de uso do pronome neutro: "elu é bonite" e "a bolsa é delu". O mesmo texto lembra que os pronomes variam de pessoa para pessoa. Algumas preferem elu, outras ele ou ela, e há quem aceite mais de um.
Fonte: eCycle. Verificado em 7 de outubro de 2026.
Como descobrir o seu pronome
Não existe teste oficial, e ninguém precisa decidir de uma vez. Estas perguntas ajudam:
- Como eu me reconheço? Homem, mulher, os dois, nenhum ou algo que não cabe em um rótulo.
- Que frase me soa natural? Imagine alguém dizendo "ele chegou", "ela chegou" ou "elu chegou" falando de você. Qual delas dá conforto? Qual dá estranhamento?
- Como eu gostaria de ser apresentado? Em uma reunião, em um grupo de amigos, em um aplicativo.
- Posso testar em um lugar seguro? Com amigos próximos, em um grupo on-line ou em casa. Experimentar não é compromisso.
- Tenho com quem conversar? Amigos de confiança, grupos de apoio e profissionais de psicologia podem ajudar a elaborar o assunto.
Pronome pode mudar com o tempo, e mudar não é erro. Se um dia você sentir que outro combina mais, atualize e avise as pessoas de convívio.
E se eu for hétero ou cis, também tenho pronome?
Todo mundo tem. A diferença é que, para quem se reconhece no gênero atribuído ao nascimento, o pronome costuma passar sem questionamento. Pronome não depende de orientação sexual: uma mulher hétero usa ela, uma mulher lésbica usa ela, um homem gay usa ele. Quem decide é a identidade de gênero, e não a atração por alguém.
Sobre sigla e rótulo
Você não precisa de uma sigla para usar um pronome. Se quiser entender melhor termos e siglas, o artigo LGBT ou LGBTQIA+: qual sigla usar explica as letras, e o texto sobre agênero e gênero neutro detalha duas identidades que costumam gerar dúvida.
Como perguntar o pronome de alguém
A orientação do eCycle é simples: o ideal é sempre perguntar e falar sobre quais nomes e pronomes a pessoa gostaria de ser chamada, evitando suposições. Algumas formas de fazer isso sem constrangimento:
- "Quais pronomes você usa?"
- "Como você prefere ser chamado?"
- Em apresentações, dê o exemplo: "Eu sou o Pedro, uso ele. E você?"
- Em formulários e perfis, deixe um campo opcional para pronome.
Se a pessoa aparentar desconforto, não insista. Use o nome dela e frases sem marca de gênero até que ela queira falar.
Como respeitar no dia a dia
- Use o pronome informado. Em todas as situações, inclusive quando a pessoa não estiver presente, salvo se ela pedir sigilo.
- Corrija sem drama. Se errar, diga "desculpe, ela" e continue. Longas explicações deixam a pessoa mais exposta.
- Corrija o colega que errar. Com educação e sem expor a pessoa. Uma frase curta basta.
- Não peça justificativa. Ninguém precisa provar a identidade para ser tratado com respeito.
- Evite símbolos ilegíveis. O eCycle recomenda não usar x, @ e outros caracteres, porque dificultam a leitura por pessoas com deficiência visual. Prefira a letra e, como em todes, ou reescreva a frase de modo que não marque gênero, como "a equipe" em vez de "os funcionários".
Fonte: eCycle, sobre neutralidade de gênero. Verificado em 7 de outubro de 2026.
Erros comuns
- Supor o pronome pelo corpo, pela voz ou pela roupa.
- Perguntar com ar de teste, como se a pessoa tivesse de se explicar.
- Usar o nome antigo de uma pessoa trans, quando ela já informou outro.
- Perguntar só para quem "parece diferente". O ideal é perguntar a todos, o que normaliza o hábito.
- Fazer piada com o pronome.
Pronomes no trabalho e na escola
Você pode normalizar o assunto colocando seu pronome na assinatura do e-mail ou no perfil. Em reuniões, apresentações em que cada um diz nome e pronome, sem obrigar ninguém, ajudam. Seguir a política de cada instituição é importante, porque regras de escrita em documentos oficiais variam, e o debate sobre a norma da língua continua. No trato pessoal, o que vale é respeitar o que a pessoa pede.
O que fazer depois
Se você quer ir além do pronome, o artigo como tratar bem uma pessoa LGBTQIA+: guia de respeito traz dicas práticas de linguagem e postura. E, se você ou alguém próximo está sofrendo por causa de preconceito, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional de graça pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Este texto é informativo e não substitui o acompanhamento de um psicólogo.
Fontes e data de verificação
eCycle, páginas sobre pessoa não binária e neutralidade de gênero, e CVV. Os exemplos de pronome vêm do texto citado. Não foram usados dados numéricos.
Verificado em 7 de outubro de 2026.