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Transfobia no Brasil: o que é, dados e como denunciar

Por Publicado em: Atualizado em: 4 min de leitura — visitas

Resposta rápida

Transfobia é o preconceito, a aversão ou a violência contra pessoas trans. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em 13 de junho de 2019 que condutas transfóbicas se enquadram na Lei do Racismo (Lei 7.716, de 1989), até que o Congresso aprove lei específica.

Este artigo é informativo e não substitui orientação jurídica nem de profissional de saúde ou de segurança.

Rápido: transfobia pode ser crime. Para denunciar, registre ocorrência em delegacia, guarde provas e procure a Defensoria Pública ou um advogado. Os dados de violência vêm de organizações civis, porque faltam estatísticas oficiais específicas.

O que é transfobia

A Stonewall define transfobia como crenças, visões ou atitudes negativas sobre pessoas trans, o que pode incluir o medo ou a aversão a quem é, ou parece ser, trans. O Dicio a descreve como ódio direcionado a pessoas que não se identificam com o gênero de nascimento, manifestado por violência física ou verbal.

O que é crime

Segundo o STF, o plenário concluiu em 13 de junho de 2019 o julgamento da ADO 26 e do MI 4733 e fixou uma tese em três pontos:

  1. Até que o Congresso edite lei específica, condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, se enquadram nos crimes da Lei do Racismo. No homicídio doloso, isso é circunstância que qualifica o crime, por configurar motivo torpe.
  2. A repressão penal não alcança nem restringe a liberdade religiosa, desde que as manifestações não configurem discurso de ódio.
  3. O conceito de racismo alcança a negação da dignidade e da humanidade de grupos vulneráveis.

A Lei 7.716, de 1989, no artigo 20, pune praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza, com reclusão de dois a cinco anos. Não existe artigo chamado transfobia: o enquadramento vem da decisão do STF, e cada caso é analisado pela Justiça.

Os dados do Dossiê da ANTRA

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) publica anualmente um dossiê sobre assassinatos e violências contra pessoas trans. A edição de 2026 trata de 2025. Os números abaixo são dela, não de órgão oficial.

  • Assassinatos em 2025: 80, queda de 34% sobre os 122 de 2024. Foram 77 contra travestis e mulheres trans e 3 contra homens trans e pessoas transmasculinas.
  • Série histórica: 181 casos em 2017, 163 em 2018, 124 em 2019, 175 em 2020, 140 em 2021, 131 em 2022, 145 em 2023, 122 em 2024 e 80 em 2025. De 2017 a 2025, são 1.261 assassinatos, média de 140 por ano.
  • Raça ou cor: em 57 casos com informação, 40, ou 70%, eram pessoas negras e 15, ou 26%, brancas.
  • Idade: a maior parte das vítimas tinha entre 13 e 29 anos, e 77% tinham menos de 35 anos.
  • Onde: Ceará e Minas Gerais tiveram 8 casos cada em 2025. Cerca de 67,5% ocorreram em cidades do interior.

A própria ANTRA afirma que a queda numérica não equivale a melhora do cenário e que as estatísticas oficiais específicas são inexistentes ou frágeis, restritas a registros de saúde e a denúncias no Disque 100.

Como denunciar

  1. Registre ocorrência em uma delegacia. Informe que se trata de transfobia.
  2. Guarde provas: prints, mensagens, fotos, vídeos e nomes de testemunhas, com data e endereço das publicações.
  3. Procure a Defensoria Pública ou um advogado de confiança para orientação do caso.
  4. Confira o Disque 100: o dossiê da ANTRA o cita como canal de denúncias. Veja no site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania como acioná-lo.
  5. Na saúde, a política do Ministério da Saúde prevê o uso do nome social. Se for negado, registre queixa na ouvidoria do serviço.

Em caso de risco imediato, procure a polícia.

Leia também

Fontes e verificação

Fontes: Dossiê da ANTRA (edição 2026, dados de 2025), STF (notícia de 13 de junho de 2019), texto da Lei 7.716/1989 no Planalto, Ministério da Saúde, Stonewall e Dicio. Verificado em 6 de outubro de 2026. Os números da ANTRA são de organização da sociedade civil e podem ser revisados em edições futuras: confira a edição mais recente no site da entidade. Este texto não substitui orientação jurídica.

Perguntas frequentes

O que é transfobia?

Transfobia é o preconceito, o ódio ou a aversão contra pessoas trans. A Stonewall a define como crenças, visões ou atitudes negativas sobre pessoas trans, incluindo o medo ou a aversão a quem é ou parece ser trans. O Dicio a descreve como ódio que pode se manifestar por violência física ou verbal.

O que é a transfobia no Brasil?

É o conjunto de preconceitos e violências contra pessoas trans no país, que vão de ofensas e exclusão até agressões e assassinatos. O Dossiê da ANTRA registrou 80 assassinatos de pessoas trans em 2025 e aponta que os dados oficiais específicos são frágeis ou inexistentes.

A transfobia é crime no Brasil?

Sim, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Em 13 de junho de 2019, o STF decidiu que, até o Congresso editar lei específica, condutas homofóbicas e transfóbicas se enquadram nos crimes da Lei do Racismo, a Lei 7.716, de 1989. A aplicação a cada caso cabe à Justiça.

Qual é o artigo de transfobia?

Não há um artigo chamado transfobia. O enquadramento é feito na Lei 7.716, de 1989, por decisão do STF. O artigo 20 pune praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza, com reclusão de dois a cinco anos.

Qual a pena para transfobia?

Depende da conduta e da decisão da Justiça. O artigo 20 da Lei 7.716, de 1989, prevê reclusão de dois a cinco anos para quem pratica, induz ou incita discriminação ou preconceito pelos meios de comunicação. Em caso de homicídio doloso, a tese do STF o considera qualificado por motivo torpe.

Quem sofre transfobia?

Sofrem pessoas trans e quem é visto como trans. O Dossiê da ANTRA mostra que travestis e mulheres trans são alvo preferencial: representam 97% dos assassinatos mapeados entre 2017 e 2025, com 1.221 mortes. Homens trans e pessoas transmasculinas são minoria nesse tipo de crime.

Qual a porcentagem de transfobia no Brasil?

Não há um percentual oficial único de transfobia, e o Dossiê da ANTRA afirma que as estatísticas oficiais específicas são inexistentes ou frágeis. O que há são números de organizações da sociedade civil, como o dossiê, que contou 80 assassinatos em 2025. Esse é um dado sobre mortes, e não sobre todo o preconceito.

Quantas pessoas trans foram assassinadas no Brasil em 2025?

O Dossiê da ANTRA registrou 80 assassinatos de pessoas trans e travestis em 2025, queda de 34% sobre os 122 de 2024. Foram 77 contra travestis e mulheres trans e 3 contra homens trans e pessoas transmasculinas. A própria ANTRA diz que a queda numérica não significa melhora do cenário.

Como foi a evolução dos números?

Segundo o Dossiê da ANTRA, foram 181 casos em 2017, 163 em 2018, 124 em 2019, 175 em 2020, 140 em 2021, 131 em 2022, 145 em 2023, 122 em 2024 e 80 em 2025. De 2017 a 2025, foram 1.261 assassinatos mapeados, média de 140 por ano.

Quem são as vítimas, segundo a ANTRA?

Entre os 57 casos de 2025 em que foi possível identificar raça ou cor, 40, ou 70%, eram pessoas negras, segundo o dossiê. A ANTRA aponta ainda que a maior parte das vítimas tinha entre 13 e 29 anos e que 77% tinham menos de 35 anos, com média de 30 anos.

Onde ocorrem mais casos?

Em 2025, Ceará e Minas Gerais lideraram, com 8 casos cada, seguidos de Bahia e Pernambuco, com 7. Segundo o dossiê, 67,5% dos assassinatos ocorreram em cidades do interior e 32,5% nas capitais. A ANTRA alerta que estados com zero casos podem refletir falta de registro.

De onde vêm os dados da ANTRA?

O dossiê informa que reúne dados de notícias, órgãos de segurança pública, processos judiciais e fontes de redes e organizações parceiras, com verificação posterior. Em 2025, houve mais de 1.954 notificações, e 80 mortes foram consideradas por se enquadrarem nos parâmetros de crimes violentos letais intencionais.

Os dados da ANTRA são oficiais?

Não. A ANTRA é uma organização da sociedade civil, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais, e o dossiê é produção independente, fomentado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania segundo a ficha técnica. A própria entidade diz que faltam estatísticas governamentais específicas.

Como denunciar transfobia?

Registre ocorrência em uma delegacia e guarde provas, como prints, mensagens, fotos e nomes de testemunhas. Procure também a Defensoria Pública ou um advogado. O Disque 100, citado no dossiê da ANTRA como canal de denúncias, é uma opção a conferir no site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Posso denunciar transfobia na internet?

Sim, a Lei do Racismo, no artigo 20, trata de praticar, induzir ou incitar discriminação por meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza. Guarde prints com data e endereço da publicação e registre ocorrência. Cabe à Justiça analisar se há crime em cada caso.

O nome social é um direito?

A Política Nacional de Saúde Integral de LGBT, do Ministério da Saúde, prevê garantir o uso do nome social de travestis e transexuais na saúde, conforme a Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde. Se isso for negado, registre queixa na ouvidoria do serviço e busque a Defensoria Pública.

Chamar uma mulher trans de homem é crime?

Depende do caso. A análise cabe à Justiça, que avalia contexto e intenção. Um capítulo do Dossiê da ANTRA discute que isso pode configurar crime de racismo transfóbico e dano moral, mas é a posição de autores do texto, e não decisão judicial geral. Procure advogado para orientação do caso.

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Referências

Fontes conferidas em 6 de outubro de 2026.

Escrito por

Equipe editorial

Equipe que pesquisa, escreve e revisa os guias do MundoBlá. Todo conteúdo cita fontes oficiais e mostra a data da última conferência. Perfis de especialistas reais entram aqui só quando houver pessoa verificada.

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